Sugestão da Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico Catequética-CNBB de celebração para o Dia do Catequista 2016

CATEQUISTAS DA MISERICÓRDIA:
Para que todos se sintam amados, esperados e perdoados por Deus!

Pe. Rodrigo Ferreira da Costa, SDN

Preparação do ambiente: preparar uma vela para cada catequista para a renovação das promessas batismais; símbolos que lembram os Sacramentos da iniciação cristã; Círio Pascal, flores, cruz, cartaz do Ano da Misericórdia. Deixar o ambiente simples e aconchegante.

Comentarista: Queridos irmãos e irmãs “o nome de Deus é misericórdia”. Ele “nunca se cansa de perdoar, somos nós que nos cansamos de pedir a sua misericórdia”. Neste Ano Santo da Misericórdia, “deixemo-nos surpreender por Deus. Ele nunca se cansa de escancarar a porta do seu coração, para repetir que nos ama e deseja partilhar conosco a sua vida.” Cantemos com alegria!

CANTO INICIAL

RITOS INICIAIS

Dirigente (Dir.): Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
Todos (T.): Amém.
Dir.: A graça, a misericórdia e a paz de Deus Pai e de Jesus Cristo, nosso Senhor, estejam convosco.
T.: Bendito seja Deus, que nos reuniu no amor de Cristo.

ATO PENITENCIAL

Dir.: Queridos catequistas, estamos vivendo o Ano Santo da Misericórdia proclamado pelo Papa Francisco. Ele nos convida experimentar a ternura do amor misericordioso do Pai que tem um amor “visceral” para com o seu povo, uma vez que “a misericórdia de Deus não é uma ideia abstrata, mas uma realidade concreta, pela qual Ele revela o seu amor, como o de um pai e de uma mãe que se comovem pelo próprio filho até o mais íntimo das vísceras”. Nesta celebração da Misericórdia, somos convidados a contemplar o Rosto da misericórdia que sempre nos move e nos comove, para a compaixão com o próximo. No início de nossa celebração, meditemos nas sete obras de misericórdia corporais e peçamos ao Pai a conversão do nosso coração.

Dir.: 1.º Dar de comer a quem tem fome. “Vinde, benditos de meu Pai!... Pois eu estava com fome, e me destes de comer” (Mt 25, 34). Ao dar de comer, recordamos a gesto Eucarístico no qual Cristo se dá a nós como alimento.
Leitor (L.): Perdoai-nos, Senhor, pelas vezes em que fomos insensíveis à fome e às necessidades, materiais ou espirituais, dos nossos irmãos mais pobres!
Dir.: 2.º Dar de beber a quem tem sede. “Vinde, benditos de meu Pai!... Pois eu estava com sede, e me destes de beber” (Mt 25, 35). Quando nos deparamos com a falta de água, nos damos conta de sua fundamental importância em nossas vidas. Dar de beber se estende também à consciência do cuidado da Nossa Casa Comum.
L.: Perdoai-nos, Senhor, pelas vezes que não levamos a sério a nossa responsabilidade de cuidar da obra da vossa Criação.
Dir.: 3.º Vestir os nus. “Vinde, benditos de meu Pai!... Pois eu estava nu e me vestistes” (Mt 25, 36).
L.: Perdoai-nos, Senhor, pela falta de atenção àqueles que nos rodeiam, para que possamos atendê-los na sua nudez mais profunda, percebendo os apelos que emitem mesmo sem serem ouvidos.
Dir.: 4.º Acolher o estrangeiro: “Vinde, benditos de meu Pai!... Pois eu era forasteiro e me acolhestes” (Mt 25, 35).
L.: Perdoai-nos, Senhor, pelas vezes em que fechamos as portas do nosso coração àqueles que colocais no nosso caminho, como sinal da vossa presença!
Dir.: 5.º Visitar os doentes. “Vinde, benditos de meu Pai!... Pois eu estava doente e cuidastes de mim” (Mt 25, 36).
L.: Perdoai-nos, Senhor, porque nem sempre o nosso coração está disponível para vos acolher, deixando-nos compadecer com as dores dos outros.
Dir.: 6.º Visitar os presos. “Quando te vimos doente ou na prisão, fomos visitar-te?... Sempre que fizeste isto a um dos meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizeste.” (Mt 25,39-40) L.: Perdoai-nos, Senhor, por nem sempre compreendermos as limitações de quem sofre pela sua má conduta pessoal, familiar ou social.
Dir.: 7.º Dar sepultura aos mortos. “Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica só; mas, se morrer, dá muito fruto”. (Jo 12,24)
L.: Senhor Jesus, perdoai-nos, pelas vezes que não aceitamos, de boa vontade, a morte dos nossos amigos, e não nos mostramos capazes de consolar quem sofre no seu luto!

(Enquanto o povo canta, o celebrante asperge o povo com água benta, lembrando o Batismo)

Cantando: Banhados em Cristo/ somos uma nova criatura,/as coisas antigas já se passaram,/ somos nascidos de novo! (Bis).

Dir.: Deus Pai das misericórdias e Deus de toda consolação, tenha compaixão de nós, acolha o nosso coração arrependido, perdoa os nossos pecados e nos conduza à vida eterna. Amém.

GLÓRIA
Alguns Catequistas entram com símbolos ou objetos que lembram os frutos da caminhada da catequese em nossa comunidade...

ORAÇÃO

Dir.: Oremos (pausa) Ó Deus, que mostrais vosso poder, sobretudo no perdão e na misericórdia, mostrai-nos vosso rosto misericordioso que sempre nos espera, nos ama e nos perdoa; a fim de que sejamos discípulos missionários misericordiosos como o Pai. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

LITURGIA DA PALAVRA

Com.: A Palavra de Deus é luz para os nossos passos no caminho da conversão. Lendo as Escrituras Sagradas percebemos que a misericórdia torna a história de Deus com a humanidade uma história de salvação. Esta misericórdia divina tem um rosto visível em Jesus Cristo. Como discípulos missionários d’Ele, somos enviados também como missionários da misericórdia. Abramos nossos ouvidos e os nossos corações para ouvir a Palavra de Deus.

Mantra: Escuta catequistas, Senhor teu Deus vai falar./ Escuta catequistas, Senhor teu Deus vai falar./ Fala Senhor, meu Deus, os catequistas vão te escutar/ Senhor, meu Deus, os catequistas vão te escutar.

Primeira Leitura: Oséias 11,1-9

Salmo responsorial – Sl 136 (135)
(João Carlos Ribeiro/ O. D. da Juventude)

1. Ao Senhor dos senhores cantai/Ao Senhor Deus dos deuses louvai./ Maravilhas só ele é quem faz/ Bom é Deus, ao Senhor pois louvai.
Pois eterno é seu amor por nós, eterno é seu amor! (bis)
2. Com saber ele fez terra e céu/sobre as águas a terra firmou/ Para o dia reger fez o sol/ E as estrelas pra noite firmou.
3. Primogênitos todos feriu/ Do Egito, um povo opressor/ E dali Israel fez sair/ O poder de sua mão o salvou.
4. No mar bravo ele fez perecer/ Os soldados e o tal Faraó./ Aliança ele fez com Israel/ No deserto seu guiou.
5. Poderosos sem dó abateu/ A famosos reis desbaratou./ Sua terra Israel recebeu/ Como herança a seu povo entregou.
6. Se lembrou de nós na humilhação/ Ao Senhor, Salvador proclamai/ Dele nós recebemos o pão/ Ao Senhor, Deus dos céus, proclamai.

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO

Evangelho- Lucas 15,11-32

HOMILIA...
Destacar as atitudes do filho mais novo que erra, abandona a casa do pai, porém confiando na misericórdia, arrepende-se e volta para a casa do pai. Enfatizar também o fechamento do filho mais velho que demonstra não conhecer o pai, não perdoa o irmão e não quer entrar para festa da misericórdia; e, por fim, destacar o coração misericordioso do Pai que espera, sai ao encontro, abraça e perdoa os seus filhos. Enquanto catequistas somos mais parecidos com o filho mais novo, com o filho mais velho ou com o pai misericordioso?

PROFISSÃO DE FÉ
Os catequistas podem renovar as suas promessas batismais, ascendendo suas velas no Círio Pascal.

Dir.: Após termos ouvido a Palavra misericordiosa do Pai, elevemos a Ele nossos pedidos inspirados nas sete obras de misericórdia espirituais. A cada prece respondamos, Senhor fazei de nós, discípulos missionários da misericórdia.

L.:1.º Dar bom conselho. “Senhor, deixa a figueira ainda este ano. Vou cavar em volta dela e deitar adubo. Quem sabe, talvez venha a dar fruto! Se não der, então cortá-la-ás.” (Lc 13,8-9). Ensinai-nos, Senhor, a ser pacientes com os nossos irmãos e a dar bons conselhos, sobretudo inspirados na vossa Palavra!
L.: 2º. Ensinar os ignorantes. “Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados.” (Lc 6,37). Fazei-nos, Senhor, gritar o evangelho com a vida, para que o nosso anúncio seja credível!
L.: 3.º Corrigir os que erram. “Amai os vossos inimigos e fazei bem aos que vos odeiam.” (Lc 6,27-28). Livrai-nos, Senhor, de agirmos como juízes sombrios que se comprazem em detectar qualquer perigo ou desvio, a fim de que possamos trabalhar com paciência e confiança, em todos os ambientes que habitamos diariamente, para construir o futuro.
L.: 4.º Consolar os tristes. “Se alguém quer seguir-me, renuncie a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-Me” (Lc 9,23). Fazei-nos, Senhor, aliviar a dor e o sofrimento dos outros, sobretudo dos mais tristes, sós e marginalizados!
L.: 5.º Perdoar as injúrias. “Sereis odiados por todos, por causa do meu nome. Mas não perdereis um só cabelo. É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida.” (Lc 21,17-19). Fazei de nós, Senhor, um sinal verdadeiro de perdão e fraternidade!
L.: 6.º Sofrer com paciência as fraquezas do próximo. “Se vocês não perdoarem aos homens, vosso Pai também não vos perdoará vossos delitos” (Mt 6, 15). Tornai-nos, Senhor, capazes de saber perdoar sem reservas, sobretudo a quem nos possa ter ofendido.
L.: 7.º Rogar a Deus por vivos e defuntos. “Se não escutam Moisés e os profetas mesmo que um dos mortos ressuscite, eles não ficarão convencidos” (Lc 16,31). Fazei-nos, Senhor, rezar e celebrar sempre a eucaristia, como sinal eficaz da comunhão eterna com todos os filhos de Deus, porque para Ti, todos vivem!

LITURGIA EUCARISTICA

CÂNTICO DE OFERTÓRIO

ORAÇÃO SOBRE AS OFERENDAS

Ó Deus, Vós que preferistes a misericórdia ao sacrifício, acolhei estes dons do pão e do vinho trazidos ao vosso Altar pelas mãos dos catequistas que se dedicam com alegria e gratuidade no serviço do Reino. Por Cristo, nosso Senhor!

Oração Eucarística VII (sobre a reconciliação I)

RITO DE COMHUNHÃO

PAI-NOSSO...

Dir.: Antes de participarmos do banquete eucarístico, sinal de reconciliação e vínculo de união fraterna, rezemos juntos, como o Senhor nos ensinou: Pai nosso...

ORAÇÃO E RITO DA PAZ

CANTO DE COMUNHÃO

ORAÇÃO PÓS-COMUNHÃO

Dir.: Oremos (pausa). Restaurados à vossa mesa pelo Pão da vida, nós vos pedimos, ó Pai, que este alimento da caridade fortifique os nossos corações e nos leve a vos encontrar em nossos irmãos e irmãs. Por Cristo nosso Senhor.
T.: Amém

RITOS FINAIS

Com.: “Cada cristão e cada comunidade há de discernir qual é o caminho que o Senhor lhe pede, mas todos somos convidados a aceitar esta chamada: sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho” (Papa Francisco). A todos os catequistas desejamos coragem e perseverança na missão. Parabéns pelo seu dia!

Avisos

BENÇÃO FINAL

Dir.: O Senhor esteja convosco.
T.: Ele está no meio de nós.
Dir.: O Senhor que vos reuniu para celebrar a sua misericórdia vos abençoe em seu Amor: Ele que Pai, Filho e Espírito Santo.
T.: Amém.
Dir.: Ide em paz, e o Senhor vos acompanhe!
T.: Graças a Deus!

CÂNTICO FINAL
Catequista do Povo (L.& M. Pe. Rodrigo,SDN)

Eu sou catequista do povo/ com fé e esperança, alegria e amor/ eu vou anunciar o evangelho, na vida e na lida, falar do Senhor! (bis)
1- A alegria da Boa Nova/com os irmãos eu quero viver//Anunciar a Palavra de Deus/, com ternura de mãe, escutar, acolher. (bis)
2- Na vida de comunidade/ precisamos perseverar//viver o amor-doação/, numa Igreja em saída, vou testemunhar. (bis)
3- Catequistas vamos unir/ fé e vida, trabalho, oração//, a nossa missão é urgente/ tem choro, tem cruz/, tem ressurreição. (bis)

Comissão Episcopal realiza encontro Nacional com as coordenações e bispos referenciais de Animação Bíblico Catequética - CNBB

IMG 20160218 142720495

Convocados pela Comissão nacional de catequese, coordenações de catequese de 17 regionais da CNBB estão reunidos em Brasília, nas Pontifícias Obras Missionárias.

O tema principal da pauta é a formação de catequistas.

O grupo hoje partilhou como anda a formação de catequistas nos regionais e dioceses. Foi unanime a decisão de que será necessário elaborar um novo subsídio com orientações para a formação de catequistas na paróquia, diocese e regional. Um subsídio que contemple o novo perfil de catequistas.

O encontro segue amanhã tendo como temas a catequese na era digital e a possibilidade de formação à distância para catequistas.

Curta a nossa página no facebook Catequese e Bíblia

FELIZ NATAL

CARTÃO DE NATALCartao-Natal-DVilson-2015

Fim de ano

Comemoramos, no último domingo de 2015, a Festa da Sagrada Família, a Família de Nazaré, Jesus, Maria e José. Diante desse modelo de família, avaliamos a identidade de nossas famílias no decorrer do ano. Ano de sofrimento e ameaças, que afetaram profundamente muitos lares. Violência, assassinatos, mortes no trânsito, terrorismo, roubos nas casas, derrame de rejeitos etc.

O fato de Jesus ficar “perdido” em Jerusalém causou grande sofrimento para seus pais. Não é diferente do sofrimento de tantas mães e tantos pais diante dos desvios dos filhos, principalmente quando esses entram para o mundo da droga. As consequências não deixam de ser desastrosas. Muitos são assassinados e outros acabam sendo jogados no sofrimento da prisão.

Devemos dizer também que as famílias são comunidades de amor, de estima mútua e de desenvolvimento das capacidades humanas e espirituais. Mas tem sido frequente o drama das que se encontram desintegradas pela separação ou má conduta dos pais. Tudo isso afeta profundamente a identidade psicológica e espiritual dos filhos. Deixam de ser base de sustentação para eles.

Ao começar um novo ano, as famílias são convocadas para renovar seus compromissos de amor, superar as dificuldades no lar e restaurar os elementos fraturados que impedem a prática da doação total. A relação pais e filhos deve ser expressão de ternura e de superação de tudo aquilo que impede um verdadeiro e fecundo afeto.

Creio ser sugestiva, gratificante e providencial, ao falar de família, a leitura do texto bíblico: Livro do Eclesiástico 3,3-17. É fundamental que haja relacionamento familiar. Todos se beneficiam com isso e a vida social torna-se mais saudável, porque uma família estruturada consegue preparar melhor os filhos para os embates sociais. Assim poderemos vivenciar 2016 com novas dimensões.

No momento paira uma incógnita nos cidadãos brasileiros: onde vamos chegar com tanta corrupção e com um nível tão baixo de grande parte de nossos políticos? A consequência maior é o sofrimento das pessoas, das instituições, atingindo drasticamente as famílias. Vamos torcer para que a crise traga frutos positivos para a família.

Dom Paulo Mendes Peixoto

Arcebispo de Uberaba.

Aldeia de Belém

Já estamos experimentando, no espírito do Advento e na movimentação do comércio, o clima festivo que identifica uma realidade própria de Natal. A história começou na Vila de Belém, uma minúscula Aldeia próxima da cidade de Jerusalém, com o nascimento de um Menino, anunciado pelos profetas como Aquele que traria a justiça e a vida para os povos.

Jesus nasce na cidade de origem de Davi, e descende da dinastia desse grande Rei. O foco da justiça recai sobre Ele para enfrentar a cultura das injustiças, que sempre dominaram o itinerário dos povos. Injustiças que ameaçam a vida e a identidade das instituições. É triste comemorar mais uma festa de Natal entranhada por uma cultura com marcas profundas de injustiça.aldeia de belém

Com Jesus, a história de quem acreditou Nele, tomou um novo rumo. Segui-Lo supõe autenticidade, vida honesta e prática da justiça social. O que vemos hoje é uma afronta aos princípios do cristianismo, que até envergonha os honestos na celebração do Natal. Tudo tem se transformado em interesses particulares, acirrando as diferenças sociais.

A política deixou de ser a arte de bem administrar e um bem para a vida, e se transformou em caminho fácil de corrupção. O cenário do Congresso Nacional é alarmante, fazendo do Brasil uma Aldeia de políticos despreocupados com a identidade dos brasileiros. Mas somos culpados, porque foram eleitos com o nosso voto.

A corrupção está presente, como efeito cascata, em todas as áreas da nação brasileira. Podemos até dizer que o Brasil é um país doente, necessitado de um processo de conversão. O Papa Francisco convoca o mundo para um tempo de misericórdia, que deve atingir o coração de nossos políticos.

As dimensões da Aldeia de Belém, em relação ao Brasil, são destoantes. Em Belém, Jesus foi homenageado pelos Reis do Oriente, e reconhecido como Rei do universo. As explorações praticadas no Brasil fazem do país uma casa de grandes preocupações. Com isto o Natal fica sendo uma festa desfigurada e incompatível com a identidade de Jesus Cristo.

Dom Paulo Mendes Peixoto

Arcebispo de Uberaba.

Santa Luzia


santa luziaO temo “Luzia” vem de luz, de olhos abertos para enxergar o que está no arredor. Jesus do Natal nasce como luz, como esperança de libertação. É fruto do sopro de Deus, que gera vida. É o que dá sentido ao Advento, caminhada para receber o sopro, o vento de Deus. Os olhos precisam estar abertos, preparados para entender os percalços da vida.

A nação brasileira está muito confusa. A corrupção, presente em todos os ambientes, corrói a vida do povo e das instituições. O dinheiro cega as pessoas e acabam perdendo o brio da justiça. A cultura está carcomida pela desonestidade, causando sofrimento, insatisfação e destruição. As grandes empresas, que exploram o país, não medem as consequências agindo de forma espúria.

Como diz o ditado: “Só Jesus!”, isto é, só uma luz divina é
capaz de abrir os olhos do coração e da mente das pessoas que não estão preocupadas com a justiça social e o bem da coletividade. Os frutos colhidos têm sido amargos e de muito sofrimento para as classes pobres e sem “armas” de proteção.

Aproximam-se mais um pleito eleitoral, momento em que os olhos necessitam estar abetos. Não é fácil enxergar a identidade dos candidatos e muitos eleitores votam de olhos fechados, sem perceber o mal que poderão estar fazendo, favorecendo os aproveitadores. O país está cheia dessa raça de gente preocupada com o próprio umbigo, ao que favorece seus interesses particulares.

Na prática, temos visto desvios de conduta, líderes que se transformam em grandes inimigos das pessoas. Desqualificam suas administrações, porque não direcionam corretamente os bens para seus devidos fins e nem suas potencialidades para a direção correta. Tenhamos os olhos abertos para essas realidades e eliminemos os candidatos, sem confiança, através do voto livre.

Paira uma preocupação inquietante no povo brasileiro. O nível da classe política tem ficado cada vez pior. Classe que manipula e venda os olhos das pessoas, agindo sem as exigências éticas próprias da administração pública. É pena que isso aconteça num país tão próspero com o Brasil! Temos que abrir os olhos.

Dom Paulo Mendes Peixoto

Arcebispo de Uberaba.

 

Dia Nacional de Ação de Graças

Louvai o Senhor...!

anjo natalUnimo-nos alegremente a todos os seres da terra, e aos santos, e “com os anjos e os arcanjos, e com todos os coros celestiais, cantamos sem cessar um hino à vossa glória...” (Missal Romano, Prefácio da Missa)
Hoje, neste dia de ação de graças, tenhamos o coração agradecido, louvando o Senhor pelas maravilhas que opera em nossa vida! Por todos os esforços que estão acontecendo em nosso país em busca de uma catequese de iniciação à vida cristã, de inspiração catecumenal, e da renovação de nossas paróquias.

Ao mesmo tempo, entregamos todas as calamidades que estão acontecendo, e a violência em todo o mundo, reafirmando a nossa fé na capacidade da ação do amor de Deus.

 

Alegria do Advento

Iniciamos mais um Ano Litúrgico, preparando-nos para o nascimento de Jesus Cristo no tempo do Natal. Nascimento que só tem sentido quando as pessoas conseguem abrir seus corações e deixarem acontecer o encontro íntimo com Aquele que vem como enviado do Pai. Assim se cumpre a realização da promessa de libertação projetada nos anúncios do Antigo Testamento.

Jesus foi prometido e proclamado como rei justo no meio de um mundo marcado pelas práticas de injustiça e de degradação da identidade da pessoa humana. O que vemos, na prática, e em todos os tempos, é o sofrimento condicionado pelos desvios do projeto querido pelo Criador. A injustiça, generalizada como está, diminui as condições necessárias para uma vida feliz e humana.

A vontade de Deus é a realização do direito e da justiça, isto é, de uma vida conforme as prescrições dos mandamentos e das indicações das bem-aventuranças do Evangelho. Não fomos criados para a destruição, indiscriminada, dos bens da natureza. “Dominai a terra” (Gn 9,7) significa construir, possibilitando o necessário para as pessoas terem uma vida saudável e digna.

A consistência do mundo depende do cuidado e de como ele é usado. Certas práticas causam medo e angústia nas pessoas, porque fragilizam a qualidade de vida e minam a alegria e as expectativas de um futuro promissor. A preparação para o Natal estimula uma concreta esperança, capaz de elevar o espírito abatido.

Estamos sensibilizados diante das ameaças causadas pelos últimos acontecimentos, tanto em Mariana, como nos atentados suicidas lá na França. Caminhamos por caminhos que levam ao caos, quase como o dilúvio citado pela Sagrada Escritura. Dá a impressão de que caminhamos para a destruição total. Isso pode acontecer se providências corajosas não forem tomadas.

A fonte do verdadeiro amor é Deus. Podemos até imaginar ou construir outros caminhos de amor, mas nunca estaremos totalmente realizados se nosso olhar não for voltado para essa fonte cristalina em Deus, através de Jesus Cristo, que causa compromisso de justiça de uns para com os outros no relacionamento.

Dom Paulo Mendes Peixoto

Arcebispo de Uberaba.b

Rei Universal

cristo rei1Na liturgia católica, Jesus Cristo recebe o título de “Rei Eterno e Universal”, cuja festa acontece no final do Ano Litúrgico, normalmente, no mês de novembro. É um reinado que se manifesta no amor de Deus para com todas as pessoas que O acolhem. O máximo desse amor acontece no sacrifício da cruz, na doação total pela salvação da humanidade, revelação de sua transcendência.

Além de Rei Eterno, Jesus recebe também o título de “filho de homem”, para dizer que Ele é “ser humano”, é a Palavra que se fez carne e veio morar em nosso meio (cf Jo 1,1s). Com isto, o divino tornou-se humano, para que o humano se tornasse divino. Na Festa de Cristo Rei, encerramos o ano da Igreja colocando em evidência o anunciado pelos profetas, que Jesus nasceria como rei, e seria Rei.

Os poderes do mudo querem dominá-lo, mas seu domínio, em últimas instâncias, pertence a Jesus Cristo, que veio como Rei e com poder Eterno. A história pertence aos homens, mas tudo está nas mãos de Deus, mesmo que isto seja contestado e negado pelos poderes do mundo. O livro do Apocalipse diz que Jesus é “alfa e ômega” (Ap 21,6), o princípio e o fim, tendo tudo concentrado em Si.

A missão de Jesus Cristo foi de instaurar o reino de Deus. Isso veio ocasionar consequências para seus seguidores, porque a construção desse reino foi entregue a nós. Ele começa no tempo, onde deve ser construído, mas tem uma continuidade na eternidade. É um reino de vida, diferente do reino do mundo, onde a morte acontece a todo instante, e de forma totalmente desqualificada.

A realeza de Jesus Cristo não é do mundo. Seu objetivo foi a salvação da humanidade e tinha perspectivas de vida eterna. O mundo passa, os bens adquiridos ficam por aí, as pessoas também terminam seu tempo na terra. O que fica é o bem realizado na construção do reino, a realização da caridade, que terá continuidade também na outra vida.

Dom Paulo Mendes Peixoto

Arcebispo de Uberaba.

Fim da história

Inúmeros acontecimentos da atualidade dão a impressão de que estamos tocando no final dos tempos. Muitas pessoas dizem que estamos chegando ao fim do mundo, que deveria coincidir também com o fim da história, quando não haverá mais contagem das horas. Será que caminhamos para a falência total, para a destruição de tudo que existe, caindo num total vazio e no caos?

A natureza realmente vem sendo agredida. Ela tem que “fazer milagre” para se sobreviver e dar possibilidade de vida. Os seres vivos, isto é, as pessoas, destinatárias de todos os bens da criação, vão sendo encurraladas pela violência, poluição, agrotóxicos, apartamentos cada vez mais cubículos, exploração econômica, desemprego e uma série de outros sofrimentos e limites.

A sensação realmente é de uma realidade preocupante. As pessoas são ameaçadas por todos os lados. Não só ameaça física, mas também psicológica, social e espiritual. Ricos e pobres são reféns de situações indesejáveis, minando a esperança de um futuro feliz. Com isto, muitos perdem o rumo, se desesperam e acabam eliminando a própria vida.

Acontece que não nos damos conta de que é Deus quem dirige a história. Ele capacita todas as pessoas de condições necessárias para enfrentar as realidades negativas que encontram. Mas elas passam, têm o seu fim, e a história continua. Os sofrimentos, que marcam o tempo final, não são a conclusão de tudo. São, sim, as marcas da história, que muda, mas continua.

Não é fácil interpretar os sinais dos tempos, mesmo que eles sejam bem evidentes e com aparência de fim do mundo. Depende de uma sabedoria divina para direcionar o pensamento para realidades de esperança e provocadora de vigilância. As catástrofes das mineradoras, matando muita gente, não significa fim, mas exploração irresponsável e injusta.

A história não tem sido lida a partir da Palavra de Deus. Os critérios têm acontecido de forma, apenas, humana. Por isto sofremos as consequências desastrosas, que ceifam a vida de muitas pessoas. Alguma coisa de sobrenatural está sendo colocada no ostracismo, desrespeitando a justiça divina.

Dom Paulo Mendes Peixoto

Arcebispo de Uberaba.

Curta nossa página e receba novidades.